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POLÍTICA Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2020, 03:24 - A | A

16 de Janeiro de 2020, 03h:24 - A | A

POLÍTICA / TANGARÁ DA SERRA

Seletivo para contratação de professores despreza o conhecimento e pode ser jogo de carta marcada

EDÉSIO ADORNO
Tangará da Serra



Depois de um longo e tenebroso inverno, o secretário de Educação de Tangará da Serra, Gilmar Utzig, publicou, no final da tarde de ontem, o esperado edital do processo seletivo para contratação de professores interinos.  

De início, salta evidente a ofensa ao princípio constitucional da publicidade previsto no Artigo 37 da CF/88. O edital, que foi publicado na tarde do dia 15 de janeiro, determina que as inscrições serão realizadas nos dias 16, 17 e 20 de janeiro de 2020 das 8h às 16h. Professores que estão em viagem alegam que foram pegos de surpresa pela injustificada decisão de Utzig.  

Esse detalhe, no entanto, serve como evidência de uma jogada de resultado previsível. O grave retumbante não se restringe a essa questão. Para o espanto quase catatônico dos professores que sonham com uma vaga na rede municipal de ensino, o edital do certame reduziu para 10 questões a prova objetiva, com peso de cinco pontos para cada questão, o que corresponde a 50 pontos.

Mudança de metodologia  

Arquivo/A Bronca Popular

Fábio Martins Junqueira

 

Processos seletivos de anos anteriores apresentavam 30 questões na prova objetiva. Quem tem mais ou menos chances de êxito com essa nova metodologia? Obviamente que recém-graduados em uma faculdade de pedagogia disputam em condição de superioridade.  

Obviamente, que o mais adequado seria aumentar o número de questões, de modo a contemplar diversas áreas do saber e atribuir a elas pesos diferenciados, como forma de valorizar o educador que detém conhecimento holístico sobre a multiplicidade da área da educação e suas nuances.  

Educadores e estudiosos consagrados defendem com afinco a valorização da busca permanente do saber, da pesquisa acadêmica, do aprimoramento intelectual. Essa preocupação também perpassa e modula a Lei de Diretrizes Bases da Educação Nacional (LDB). Estranhamente, os professores Fábio Junqueira e seu secretário de Educação, Gilmar Utzig, estão se lixando para a qualidade técnica e intelectual dos educadores dos filhos das famílias de Tangará da Serra.  

Educadores e estudiosos consagrados defendem com afinco a valorização da busca permanente do saber, da pesquisa acadêmica, do aprimoramento intelectual

De acordo com o edital do seletivo, cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado ou mesmo PhD, que é o mais alto título acadêmico recebido por um indivíduo, não tem a menor relevância na contagem de pontos. Junqueira e Utzig tratam os desiguais de forma igualitária e é exatamente aí que lançam por terra o princípio constitucional da equanimidade, ou se preferir, da isonomia.  

Quem acertar as 10 questões da prova objetiva leva 50 pontos. O diploma de graduação na área em que o candidato se inscreveu vale outros cinquenta pontos. Isso é o que consta no edital do seletivo com relação à prova de títulos para os cargos de professores da zona urbana e rural.  

Reprodução/Web

Câmara Vereadores Tangará da Serra

 

Para concluir, chamo atenção para o aspecto desleal e desumano do prefeito Junqueira e de seu secretário de educação, Utzig.   Professores contratos temporariamente há mais de 20 anos pelo município sempre buscaram a qualificação profissional. Participaram de curso da chamada educação continuada, fizeram pós-graduação e até mestrados.  

Educadores não aprovados em seletivos anteriores também não desistiram da busca pelo aperfeiçoamento. Igualmente, participaram de cursos de educação continuada ministrados pela própria Secretaria Municipal de Educação. E, agora, não mais do que de repente, são olimpicamente descartados de forma acintosa pelo poder público municipal.  

Estou convencido de que o edital para o seletivo da educação está eivado de graves e inaceitáveis ofensas aos princípios da impessoalidade, da publicidade, da isonomia e da moralidade pública.  

O Ministério Público e os vereadores precisam se posicionar com a urgência que o caso reclama.  

MPE.JPG

 

É preciso fazer valer a lei e salvaguardar os direitos dos educadores.  

Esse seletivo objetiva descartar os interinos mais antigos da rede e entupi-la com recém-formados por alguma faculdade de pedagogia ou de outra área da educação. Oxalá não seja para reforçar eventual candidatura a prefeito. Nesse angu tem caroço! 

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Suze Leandro da Silva 16/01/2020

Passamos o ano em formação ofertada pela secretaria, obrigatoriamente tivemos que cumprir dentre os 45 % da carga horária de hora atividade, de acordo com cada contrato, buscamos aperfeiçoar nossas práticas em outras instituições e fomos surpreendidos com este edital as pressas. Estou na rede desde 2012 e esta foi a primeira vez em que fomos destratados sem perpespectica no ano seguinte. Saímos as escuras. Decepcionante esta gestão. O que faltou não sei... tiveram praticamente dois anos para organizar a execução do processo seletivo simplificado para 2020, uma vez que, tivemos o contrato prorrogado de 2018 para 2019.

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