Da Redação
A Bronca Popular
A mais recente ordem do ministro Gilmar Mendes suspendendo os chamados “penduricalhos” do Judiciário e do Ministério Público foi lida como resposta direta ao ministro Flávio Dino.
O episódio escancara um problema maior: a falta de unidade no Supremo Tribunal Federal.
Segundo apuração da CNN Brasil, havia um entendimento interno para que o tema fosse conduzido ao Plenário, permitindo uma decisão colegiada, “em uma só voz”. No entanto, a iniciativa isolada de Dino ao suspender benefícios no Legislativo — após o Congresso aprovar pagamentos extras — foi vista como quebra de acordo.
A reação de Gilmar, por sua vez, reforça a percepção de disputa interna.
Não se discute aqui o mérito de combater excessos remuneratórios.
O problema é o método.
Quando ministros agem de forma individual e pública, em rota de colisão, a Corte deixa de parecer um tribunal constitucional e passa a transmitir imagem de arena política.
O Brasil precisa de segurança jurídica. Precisa de previsibilidade. Precisa de uma Suprema Corte que fale de maneira coesa, que construa consensos institucionais e que inspire respeito não pelo protagonismo individual, mas pela força coletiva de suas decisões.
Sem unidade, cresce a desconfiança.
E sem legitimidade social, nenhuma Corte Suprema se sustenta apenas na formalidade do cargo.
O STF precisa decidir menos como indivíduos e mais como instituição — ou continuará alimentando a percepção de ativismo e instabilidade que tanto prejudica o país.










