Da Redação
A Bronca Popular
Ex-candidatos a vereador pelo PSD nas eleições municipais de 2024 enfrentam uma situação dramática após decisões da Justiça Eleitoral que resultaram no bloqueio de contas bancárias por irregularidades na prestação de contas de campanha. A medida atinge diretamente pessoas que participaram do pleito como candidatos proporcionais e agora acumulam dívidas e restrições financeiras.
A reportagem apurou que os bloqueios decorrem de falhas graves na prestação de contas eleitorais, incluindo inconsistências contábeis, ausência de documentos e erros formais que impediram a aprovação das contas pela Justiça Eleitoral. Como consequência, alguns ex-candidatos tiveram valores bloqueados e estão impedidos de movimentar suas contas pessoais.
O PSD integrou, em 2024, uma coligação com o Republicanos, que lançou Fábio Junqueira como candidato a prefeito e Chico Clemente (PSD) como candidato a vice-prefeito. A chapa acabou derrotada nas urnas, mas os problemas administrativos da campanha seguem gerando impactos diretos sobre os candidatos proporcionais do partido.
Procurados pelos ex-candidatos para esclarecer a situação, Fábio Junqueira teria atribuído a responsabilidade à coordenação do PSD, enquanto Chico Clemente, apontado como principal liderança da legenda em Tangará da Serra, tenta transferir a responsabilidade para Junqueira. O jogo de empurra, segundo os relatos, não resolve o drama vivido por quem agora responde individualmente perante a Justiça Eleitoral.
Em depoimentos à reportagem, ex-candidatos afirmam que não tiveram participação direta na condução da contabilidade da campanha. Segundo eles, durante o período eleitoral, foram orientados a assinar procurações para que pessoas indicadas pelo partido ficassem responsáveis pela abertura de contas bancárias, contratação de serviços contábeis e envio da prestação de contas ao Tribunal Regional Eleitoral.
Não sei o que vai acontecer. Minha situação é desesperadora. Minha conta está bloqueada e a dívida com a Justiça Eleitoral é alta, sendo que não tenho culpa de nada
“Não sei o que vai acontecer. Minha situação é desesperadora. Minha conta está bloqueada e a dívida com a Justiça Eleitoral é alta, sendo que não tenho culpa de nada”, relatou um ex-candidato, sob condição de anonimato.
Outro afirmou que os erros foram generalizados. “Durante a campanha assinamos procuração para pessoas indicadas pelo PSD cuidarem da contabilidade, abrirem a conta bancária do candidato e fazerem a prestação de contas. Infelizmente, tudo foi feito errado e agora somos nós que pagamos o pato por um erro que não é nosso”, lamentou.
Os impactos vão além do aspecto jurídico. Alguns ex-candidatos relataram dificuldades extremas no cotidiano, afirmando que, com as contas bloqueadas, estão sem recursos para honrar compromissos básicos, como aluguel, contas essenciais e até alimentação.
No cenário estadual, o PSD é liderado pelo senador e ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Já em Tangará da Serra, a principal liderança da sigla é Chico Clemente, produtor rural e candidato a vice-prefeito na chapa derrotada em 2024.
Até o momento, nenhuma solução concreta foi apresentada aos ex-candidatos atingidos. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela reportagem explicam que, mesmo quando a falha decorre de terceiros, a legislação eleitoral estabelece que o candidato é o responsável final pela prestação de contas, o que amplia o alcance das penalidades.





