Da Redação
Blog Edição MT
A tentativa do PT de abafar a saída apressada de Ricardo Lewandowski do governo Lula virou mais um capítulo do manual petista de negar o óbvio. Ao admitir que o ex-ministro mantinha atividades privadas enquanto integrava o governo, Gleisi Hoffmann não esclareceu — complicou. Em vez de transparência, ofereceu cinismo político.
A pergunta não é se há crime formal, mas se há coerência moral. O mesmo PT que passou anos brandindo o discurso da ética pública agora relativiza conflitos de interesse com uma naturalidade desconcertante. Quando convém, “não é impeditivo”. Quando é adversário, vira escândalo.
A reação de Gleisi soa como tentativa de inverter o foco: aponta para a oposição, cita Bolsonaro, Tarcísio, doações de campanha e prisões passadas, numa clássica cortina de fumaça. Mas o fato central permanece intocado — por que Lewandowski precisou sair às pressas, contrariando pedido do próprio presidente?
A insistência em afirmar que “não há nada de irregular, imoral ou ilegal” não elimina o desgaste político. Pelo contrário: reforça a sensação de que o governo perdeu o senso de limite e subestima a inteligência do eleitor. A Polícia Federal pode até agir com rigor, mas o discurso oficial age com complacência.
No fim, o episódio revela um governo que cobra dos outros o que não pratica internamente. O PT que prometeu mudar a política parece cada vez mais confortável em repeti-la — com velhas desculpas, novos porta-vozes e a mesma arrogância de sempre.







