Da Redação
Blog Edição MT
O que deveria ser um debate público sobre projetos, ideias e futuro de Mato Grosso foi rebaixado a um acordo de compadres, fechado longe do povo e embalado na velha lógica do “toma lá, dá cá”.
Os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União Progressista) não estão discutindo propostas para o Estado — estão dividindo cargos como quem reparte espólio.
O arranjo é tão escancarado quanto ofensivo: pesquisas definiriam quem encabeça a chapa ao Governo em 2026 e, como prêmio de consolação, a esposa do outro senador ficaria com a vice-governadoria.
Um roteiro que mistura nepotismo disfarçado, coronelismo tardio e desprezo absoluto pela inteligência do eleitor.
Não se trata apenas de uma aliança política. Trata-se da institucionalização do compadrio, da transformação do Palácio Paiaguás em moeda de troca entre famílias tradicionais do poder. Mato Grosso, nesse script, não passa de figurante.
Wellington Fagundes (PL), conhecido nos bastidores como o “senador melancia” — verde por fora, vermelho por dentro, tenta sustentar a fantasia de bolsonarista enquanto negocia sem pudor com Jayme Campos, um lulista assumido, íntimo do Planalto e um dos grandes beneficiários da generosa liberação de emendas do governo federal.
Ideologia? Nenhuma. Convicção? Zero. O que existe é conveniência.
Ideologia? Nenhuma. Convicção? Zero. O que existe é conveniência.
Jayme Campos, por sua vez, não faz questão sequer de disfarçar.
Ao admitir publicamente o acordo, escancara uma prática antiga da política mato-grossense: decidir o futuro do Estado em mesas fechadas, onde o povo só é lembrado no dia da eleição — e olhe lá.
A cereja do bolo é o protagonismo reservado às esposas, Lucimar Campos e Mariene Fagundes, tratadas como peças de xadrez em um jogo familiar de poder. Não se discute mérito, currículo ou projeto. Discute-se sobrenome. Discute-se aliança doméstica.
Esse tipo de articulação não é apenas atrasado — é antidemocrático. Reduz a política a um clube fechado, afasta novas lideranças e reforça a sensação de que o Estado é governado por poucos, para poucos.
Se esse acordo prosperar, não será uma vitória de Wellington nem de Jayme. Será a confirmação de que, para parte da elite política, Mato Grosso ainda é tratado como grotão, onde decisões são tomadas no compadrio e empurradas goela abaixo da população.
O eleitor que se prepare: em 2026, a disputa pode não ser entre projetos de governo, mas entre famílias que acreditam ser donas do poder.





