Da Redação
A Bronca Popular
O Brasil não sofre com acidentes de trânsito. Sofre com escolhas violentas travestidas de imprudência. Todos os dias, famílias são destruídas, corpos são mutilados e futuros são interrompidos nas estradas e ruas do país — e ainda tratamos isso como fatalidade.
Não é.
Excesso de velocidade, álcool ao volante, uso de celular e agressividade não são desvios ocasionais. São condutas conscientes, repetidas, toleradas e, muitas vezes, socialmente relativizadas. O Estado reage depois da tragédia, quando o dano já é irreversível. Falha aí.
É preciso inverter a lógica.
Defendo a criação do Termo de Responsabilidade Viária Obrigatório (TRVO), um compromisso formal e registrado que todo motorista deverá assinar ao obter ou renovar a CNH. Nele, o condutor reconhece que dirigir é um ato de risco coletivo, capaz de matar, mutilar e arruinar famílias inteiras. Reconhece, também, que imprudência não é “erro”, é escolha.
Esse termo não é simbólico apenas. Ele tem força educativa, psicológica e jurídica.
Ao assumir formalmente que sabe dos riscos, o motorista passa a responder de forma agravada caso, por imprudência comprovada, provoque morte ou lesão grave. Não se trata de presunção de culpa, mas de consciência prévia do perigo.
Hoje, muitos dirigem como se estivessem sozinhos no mundo. Com essa medida, passam a entender que o volante não é extensão do ego, mas instrumento que pode salvar ou tirar vidas.
Multas, radares e campanhas genéricas já se mostraram insuficientes. O que falta é responsabilidade assumida antes da chave girar. Enquanto não colocarmos a vida no centro da política de trânsito, continuaremos contabilizando mortos como números e sequelados como estatística.
Chega. Dirigir é um privilégio. E todo privilégio exige compromisso.




