Da Redação
A Bronca Popular
Para a AVAT – Associação de Vítimas de Acidente de Trânsito, culpar a tragédia diária nas ruas e rodovias apenas à “falta de leis duras” é uma meia-verdade conveniente.
O caso que vitimou Alessandra Mara Prado Gomes, morta na MT-060 por um motorista reincidente em embriaguez ao volante, escancara um problema mais profundo: o Brasil tem leis, mas falha na prevenção, na fiscalização e na responsabilização efetiva.
A decisão judicial que substituiu a prisão por tornozeleira segue a legislação vigente, sim — e aí está o nó. O Código de Trânsito trata a morte no volante como “acidente”, mesmo quando há álcool, fuga do local e histórico criminal. O resultado é previsível: sensação de impunidade e repetição do crime.
Mas endurecer penas sem atacar a raiz do problema é ilusão.
Países que reduziram drasticamente mortes no trânsito investiram em fiscalização permanente, tolerância zero ao álcool, suspensão imediata do direito de dirigir para reincidentes, educação continuada desde a escola e assistência às vítimas. No Brasil, ainda se debate punição depois do caixão fechado.
A AVAT defende medidas urgentes: blitzes diárias, bafômetro obrigatório com presunção de culpa em caso de recusa, cassação definitiva da CNH para reincidentes, monitoramento eletrônico preventivo, campanhas permanentes e apoio jurídico e psicológico às famílias devastadas.
No trânsito, não faltam leis. Falta coragem para salvar vidas antes que elas virem estatística.







