Da Redação
Blog Edição MT
Segundo noticiado pela imprensa, o caso do Banco Master expõe uma das faces mais perturbadoras da promiscuidade entre poder econômico e poder institucional no Brasil.
Sob o comando do empresário Daniel Vorcaro, a instituição financeira teria pago cerca de R$ 500 milhões em honorários advocatícios apenas em 2025, de acordo com a revista Oeste.
Dentro desse montante, um contrato chama especial atenção: o firmado com o escritório Barci de Moraes Advogados, pertencente à esposa e aos filhos do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Conforme revelou o jornal Metrópoles, o acordo previa repasses mensais de R$ 3,6 milhões durante 36 meses, totalizando R$ 129 milhões. O espanto não está apenas no valor, mas no perfil da banca, que, segundo a mesma reportagem, não tinha grande relevância no mercado jurídico e havia atuado antes em apenas um caso simples de indenização.
O contrato veio à tona no bojo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades financeiras no Banco Master. A apuração levou à prisão temporária de Vorcaro, em novembro de 2025, além da liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central, por suspeitas de gestão fraudulenta e risco ao sistema financeiro.
Ainda segundo o Metrópoles, Moraes afirmou que não houve qualquer interferência pessoal e que o contrato do escritório de sua família não teve relação com decisões envolvendo o banco ou o BC. A explicação, porém, não encerra o debate público.
Em um país já marcado por escândalos, a simples existência de um contrato desse porte entre um banco investigado e o escritório de familiares de um dos ministros mais poderosos da República é suficiente para corroer a confiança nas instituições. Mesmo que tudo seja legal, a ética e a aparência de imparcialidade ficam gravemente comprometidas — e isso, numa democracia, é tão grave quanto o próprio crime.




