Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026

BLOG Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026, 15:02 - A | A

13 de Fevereiro de 2026, 15h:02 - A | A

BLOG / ESCÂNDALO HISTÓRICO

GAECO apurou esquema de R$ 128 milhões na Educação na era Pedro Taques

Investigações de corrupção transformaram a gestão Taques em um campo permanente de crises, prisões de suspeitos de trambique e paralisação do Estado, especialmente na segurança pública.

Da Redação
A Bronca Popular



O governo Pedro Taques entrou para a história política de Mato Grosso sob a sombra incômoda de sucessivas operações policiais. Ao longo do mandato, investigações de corrupção deixaram de ser episódios isolados e passaram a compor o pano de fundo de uma gestão marcada por tensão, escândalos e abalos institucionais.

O caso mais emblemático foi a Operação Rêmora, deflagrada em 2016 pelo Gaeco, que expôs um esquema de fraudes na Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). O que emergiu das investigações foi um retrato corrosivo: suspeitas de direcionamento de licitações, cobrança de propinas, sobrepreço e contratos viciados em obras e reformas de escolas estaduais.

Mais devastador que o impacto político foi o número que passou a simbolizar o escândalo: R$ 128 milhões em dano potencial ao erário, conforme estimativa do Ministério Público. Embora juridicamente classificado como dano estimado, o valor revelou a dimensão do problema.

A cifra nasceu da análise de contratos sob suspeita, percentuais de propina relatados em delações e indícios de sobrepreço. Na primeira fase da operação, foram cumpridos 39 mandados judiciais. Vieram prisões preventivas, conduções coercitivas e uma sequência de denúncias criminais.

O nome de maior repercussão foi o do então secretário de Educação, Permínio Pinto, cuja prisão cristalizou o impacto político da investigação. A Rêmora não foi um episódio periférico. Tornou-se símbolo de um governo acuado por crises sucessivas.

O roteiro se repetiria em 2018 com a Operação Bereré e sua fase “Bônus”, que deslocaram o epicentro das investigações para o Detran-MT. Mandados de prisão, prisões efetivadas e dezenas de denunciados ampliaram a percepção pública de um governo constantemente atravessado por escândalos.

Mais do que os desdobramentos judiciais individuais, o que se consolidou foi o ambiente político: Um governo sob permanente defensiva.

Uma gestão consumida pelo ruído institucional. Uma narrativa pública dominada por investigações.

Especialistas observam que operações dessa magnitude produzem efeitos que transcendem sentenças.

O desgaste político não aguarda trânsito em julgado.

A cada nova fase, a cada nova manchete, sedimentava-se a imagem de uma administração sitiada por crises — cenário que contribuiu decisivamente para o colapso político observado ao final do mandato, quando Taques tentou a reeleição e foi acachapado nas urnas, chegando a perder para nulos e brancos.

No fim, restou um legado difícil de dissociar: O governo Pedro Taques tornou-se um dos períodos mais turbulentos da história recente do Estado, onde investigações e escândalos deixaram de ser exceção para se tornarem rotina.

Pedro Taques sabia da roubalheira na Seduc-MT?

perminio.jpeg

 Alan Malouf e Perminio Pinto: pivôs da Operação Rêmora

Essa pergunta jamais foi objetivamente respondida. O então secretário de Educação, Permínio Pinto, chegou ao cargo em meio a um cenário de forte influência política atribuído ao empresário Alan Malouf, apontado nas investigações como figura central no escândalo. Relatos constantes em delações indicaram que Malouf exerceria protagonismo nas articulações da gestão e teria participação relevante no contexto eleitoral.

Em sua colaboração premiada homologada pelo STF, Permínio apresentou sua versão dos fatos. Embora não tenha citado nominalmente o ex-governador em trechos amplamente divulgados, afirmou que atender às demandas atribuídas a Malouf significaria, em sua interpretação, cumprir ordens do núcleo central do poder estadual.

Posteriormente, Permínio confessou crimes que antes negava, firmou acordo de delação, apontou envolvidos e devolveu valores aos cofres públicos. Os desdobramentos judiciais e seus efeitos legais seguiram o curso previsto na legislação.

 

Comente esta notícia

(65) 99978.4480

[email protected]

Tangará da Serra - Tangará da Serra/MT