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11 de Fevereiro de 2026, 14h:47 - A | A

BLOG / RADICALISMO IDEOLÓGICO

Pai mata filha após discussão política e expõe abismo ideológico

Caso Lucy Harrison simboliza o avanço inquietante da intolerância e do fanatismo

Jackeline C Adorno
Blog Edição MT



A morte de Lucy Harrison, jovem britânica de 23 anos, não é apenas um drama familiar nem somente um episódio judicial em análise entre Estados Unidos e Reino Unido. É, acima de tudo, um espelho desconfortável do nosso tempo.

Segundo relatos apresentados no inquérito britânico, uma discussão envolvendo o então presidente americano Donald Trump precedeu o disparo fatal. Não se trata de estabelecer causalidades simplistas, mas é impossível ignorar o simbolismo perturbador: divergências políticas ocupando o centro de tensões emocionais dentro do espaço mais íntimo possível — a família.

Vivemos uma era em que opiniões deixaram de ser apenas pontos de vista. Tornaram-se identidades rígidas, trincheiras emocionais, marcadores de pertencimento quase tribal. Discordar já não é apenas divergir; passou a ser, para muitos, afrontar valores pessoais, atacar convicções existenciais.

O debate público, que deveria ser terreno de ideias, converteu-se em território de paixões inflamadas. A política, instrumento legítimo da democracia, vem sendo sequestrada pelo radicalismo ideológico. Nesse ambiente, o outro deixa de ser interlocutor e passa a ser adversário moral.

O que espanta não é apenas o conflito. Conflitos sempre existiram. O que assusta é a incapacidade crescente de conviver com o dissenso. A discordância virou gatilho. A divergência, ameaça. O diálogo, exceção.

Nenhuma convicção política deveria ter força suficiente para romper laços afetivos, corroer relações ou transformar diferenças em tensões insustentáveis. Democracia pressupõe pluralidade. Civilidade exige tolerância. Humanidade demanda empatia.

O caso Lucy Harrison não é apenas uma tragédia pessoal. É um alerta coletivo. Quando a política invade o território dos afetos com a lógica da guerra, todos perdemos — independentemente de ideologia, partido ou líder.

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