Da Redação
A Bronca Popular
Internada em um hospital público de Barra do Garças, a moradora de Nova Xavantina, Patrícia Silva do Nascimento, vive dias de angústia, dor e incerteza. Vítima de um atropelamento criminoso na BR-158, no perímetro urbano, ela agora enfrenta um drama que vai além das graves lesões na bacia e nas pernas: a corrida contra o tempo para evitar a amputação de um dos membros.
Estou sofrendo de dor, gritando. Não lembro nem qual foi o dia que eu dormi. Estou vivendo um dia após o outro
Com a voz marcada pelo sofrimento, Patrícia relata noites sem sono e dores incessantes. “Estou sofrendo de dor, gritando. Não lembro nem qual foi o dia que eu dormi. Estou vivendo um dia após o outro”, desabafou à reportagem.
Segundo ela, a perna mais atingida apresenta sinais alarmantes. “A outra perna está escurecendo todinha. Como está demorando muito a cirurgia, provavelmente vai ter que amputar.”
O que agrava ainda mais a situação, segundo a paciente, é que a vaga para transferência a Cuiabá teria sido liberada duas vezes — e cancelada nas duas ocasiões.
Agora, médicos avaliam a possibilidade de decidir pela amputação na própria unidade hospitalar.
Patrícia teme perder uma parte maior da perna caso o procedimento ocorra fora da capital, onde, segundo ela, existiriam mais recursos e chances de preservação do membro.
“Eu só preciso que liberem minha vaga”, implora.
O caso expõe, de forma cruel, o impacto devastador de um crime de trânsito e levanta questionamentos inevitáveis: até quando vítimas gravemente feridas precisarão lutar contra a burocracia enquanto o próprio corpo entra em colapso? Até quando vidas arruinadas serão empurradas para o limbo do descaso?
Enquanto Patrícia aguarda uma definição que pode marcar para sempre seu futuro, a família reforça que o tempo é decisivo. Cada hora de espera amplia riscos, reduz possibilidades e aprofunda o sofrimento.
A Secretaria de Estado de Saúde ainda não se manifestou oficialmente sobre a situação relatada pela paciente.
Segundo a Polícia Militar, o condutor da carreta envolvida foi interceptado após tentar fugir.
De acordo com os policiais, ele apresentava sinais de embriaguez e confessou o atropelamento, sendo preso e encaminhado à Delegacia de Polícia.
Agora, enquanto o suspeito responde à Justiça, Patrícia luta pela própria integridade física — e por algo que deveria ser básico em qualquer sistema de saúde: o direito de ter uma chance.










