Da Redação
Blog Edição MT
As anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro, indicando que o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) teria pedido R$ 15 milhões para não disputar a eleição, revelam algo ainda mais grave que uma disputa interna: a naturalização da política como balcão de negócios.
O documento, intitulado “situação nos Estados”, teria sido preenchido durante reunião na sede do Partido Liberal para definir chapas eleitorais. Ao lado dos nomes de Eduardo Riedel, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, surge a anotação explosiva: “Pollon pediu 15 mi p/ não ser candidato”.
Se confirmado, o episódio não é apenas um escândalo individual. É um retrato cruel da degradação do mandato popular. Cargo eletivo não é ativo financeiro. Candidatura não é ficha de barganha. O voto do cidadão não pode ser tratado como mercadoria a ser negociada nos bastidores.
Quando políticos transformam o mandato em instrumento de pressão para obter vantagens pessoais, traem a essência da representação democrática. Não se trata de direita ou esquerda — trata-se de caráter e responsabilidade pública.
O Brasil já sofre com descrédito institucional. Cada suspeita de negociata reforça a percepção de que parte da classe política enxerga o poder como investimento privado, e não como compromisso público.
Se a política continuar sendo conduzida como leilão silencioso de candidaturas, o maior derrotado será sempre o eleitor. E sem confiança popular, não há democracia que resista.










