Edésio Adorno
A escalada do conflito no Oriente Médio, que já envolve ao menos 11 países e provoca apreensão global, reacendeu o temor de disparada nos preços do petróleo. Mas, no Brasil, há outro ingrediente preocupante: o oportunismo.
Mesmo antes de qualquer reflexo concreto nas refinarias ou na política de preços da Petrobras, postos e distribuidoras já começam a reajustar valores nas bombas, empurrando para o consumidor uma conta que ainda nem chegou oficialmente.
É fato que tensões na região — responsável por grande parte da produção mundial de petróleo — costumam pressionar o mercado internacional. Contudo, aumentos imediatos no varejo, sem alteração formal nos preços de referência, levantam suspeitas de especulação.
O histórico brasileiro mostra que o repasse costuma ser rápido quando é para subir, mas lento quando é para cair. Em momentos de instabilidade internacional, parte do setor se antecipa, elevando margens sob a justificativa de “prevenção”.
O consumidor, já sufocado por inflação e juros altos, vira refém de um cenário externo que mal compreende — e de práticas internas que merecem fiscalização rigorosa. Órgãos de defesa do consumidor e agências reguladoras precisam agir para coibir abusos.
Guerra é tragédia humana. Transformá-la em oportunidade para inflar lucros é, além de insensível, um desrespeito ao cidadão. O Brasil não pode permitir que conflitos a milhares de quilômetros se tornem desculpa automática para pesar ainda mais no bolso de quem abastece.







