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POLÍTICA Segunda-feira, 19 de Outubro de 2020, 16:54 - A | A

19 de Outubro de 2020, 16h:54 - A | A

POLÍTICA / CAMPO NOVO DO PARECIS

Abuso de poder político: prefeito transforma hospital em Big Brother para gravar adversários

Edésio Adorno
Tangará da Serra



A legislação eleitoral proíbe e estabelece punição severa para o gestor que fizer uso do aparato da prefeitura para tirar dividendos eleitorais. Se não pode tirar proveito eleitoral da máquina, também não pode usá-la para prejudicar desafetos, o que renderia vantagens indiretas e colocaria em situação de desvantagem eventual adversário.  

O prefeito de Campo Novo do Parecis, Rafael Machado (PSL), em nome da reeleição, faz da lei letra morta, tripudia os princípios da administração pública e faz uso descarado da máquina pública para tentar deter o avanço de candidato da oposição. Em sua empreitada, parece contar com a conivência do Instituto Saúde Resgate à Vida, que administra o Hospital Municipal Euclides Horst e tem como diretor o cidadão Dalmo Henrique Thomazzi, um ferrenho, dedicado e obediente cabo eleitoral de Rafael Machado.  

Os fatos que se seguem evidenciam a possibilidade da prática de abuso do poder político, um caso a ser investigado pelo Ministério Público Eleitoral. E, em sendo comprovados, a punição vai de multa a suspensão do registro da candidatura à reeleição de Rafael Machado. O caso é grave!  

Na última sexta-feira (16), o filho do candidato a prefeito Clovis de Paula (PSC), Wesley Antonio Moretti de Paula, precisou ser atendido às pressas no Hospital Municipal Euclides Horst. Clovis tomou conhecimento dos fatos e na condição de pai fez o que qualquer pai faria. Procurou o hospital para se inteirar sobre as condições de saúde do filho.

Assim que chegou a unidade hospitalar, Clovis foi informado por uma senhora que sua nora estaria internada e que poderia sofrer um aborto. Preocupado com a situação, Paula tentou ajudar, enviou mensagem para o diretor do hospital e pediu atenção especial para o caso. Nada além disso. Clovis de Paula tem uma longa história de luta pela saúde pública e de defesa das famílias menos privilegiadas.  

Um repórter apareceu no local e cumpriu com sua obrigação social. Noticiou o fato, segundo a versão a ele apresentada pela sogra da moça que se encontrava hospitalizada.  

Fato continuo, Dalmo Henrique Thomazzi, se valendo da condição de diretor do hospital, pega imagens do circuito interno da unidade hospitalar e joga nas rede sociais para responsabilizar Clovis por uma ação da imprensa. Ele libera, inclusive, imagens externas da rampa de recepção.  

As imagens do circuito interno do hospital não podem ser utilizadas para fins políticos. Por força de lei a privacidade de pacientes e acompanhantes deve ser preservada. O hospital não pode funcionar como um Big Brother do Chapadão do Parecis. Não poderia!   Infelizmente, isso estaria acontecendo diante das barbas das autoridades.

Tais imagens foram utilizadas na edição de um vídeo com a fala da mãe da moça, que disse ter sido bem tratada, para expor o candidato Clovis, que esteve no hospital apenas para saber o quadro de saúde de seu filho.  

O vídeo com imagem de Clovis na área externa do hospital foi compartilhado pelo diretor do hospital, Dalmo Henrique e por dezenas de outras pessoas no Facebook e em grupos de Whatsapp.

A máquina pública foi vergonhosamente utilizada para constranger um adversário político e, por vias obliquas, para favorecer Rafael Machado em sua campanha à reeleição. Isso é odioso, imoral e absolutamente aceitável por contrariar frontalmente a legislação eleitoral.

Em tempo: as imagens utilizadas no vídeo para constranger Clovis não foram liberadas mediante requerimento ou por determinação judicial. Teriam sido disponibilizadas voluntariamente pelo diretor do Hospital Municipal Euclides Horst. 

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