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POLÍTICA Terça-feira, 06 de Abril de 2021, 08:18 - A | A

06 de Abril de 2021, 08h:18 - A | A

POLÍTICA / MUITO ESTRANHO

Protegida por gente da saúde, Medicar tenta novo contrato de gestão de leitos de UTI e de enfermaria covid-19

Edésio Adorno
Tangará da Serra



Coisas que acontecem em Tangará da Serra dariam cadeia até no Paraguai. Uma delas é o fato da Secretaria Municipal de Saúde não ter tomado nenhuma providência para investigar a atuação da Medicar Emergências Médicas Campinas Ltda, contratada em novembro de 2020, pelo valor de R$ 5.231.305,32, para gerir a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e leitos clínicos de enfermaria exclusivos para covid-19, nas dependências do Hospital Municipal Arlete Daysi Cichetti Brito, pelo período de seis meses.  

A empresa opera sem responsável técnico (RT), não dispõe de profissionais com especialização e um único médico chega a tirar plantão de 20 dias. O serviço prestado aos pacientes covid-19 é questionável sob todos os aspectos. Isso talvez forneça pista para entender o elevado índice de mortes na URA. Ontem, durante coletiva, o prefeito Vander Masson (PSDB) alegou que morrem entre 70 e 80 pessoas por mês em Tangará da Serra, em sua maioria, vítimas da covid-19.  

Ampliar a oferta de vagas no cemitério é uma medida que ataca os efeitos do problema, as causas, no entanto, permanecem debaixo do tapete. Evitar mortes deve ser a prioridade e essa política de preservação da vida se faz com a prestação de serviços médico-hospitalar de qualidade. A Medicar Emergências Médicas Campinas Ltda, a toda evidência, não cumpriu com as cláusulas do contrato, foi relapsa e negligente, assim como quem deveria fiscalizá-la.  

Os problemas com a Medicar pipocaram desde o início de suas atividades em Tangará da Serra. Com o propósito de driblar o fisco, ela exigiu que os profissionais contratados abrissem mão do regime celetista (CLT) e se tornassem sócios da empresa. Claro, ninguém aceitou a proposta indecente da Medicar. Apenas aqui, neste site, o caso ganhou publicidade, em postagem do dia 17 de novembro (AQUI)  

Apesar dos pesares, a supervisora do contrato, Jucélia Pereira Luz, assim como o fiscal do contrato, Fabio Mendes Fernandes, não teriam encontrado nenhuma irregularidade praticada pela Medicar ao longo dos últimos seis meses em que ela fez ao seu modo a gestão dos leitos de UTI e de enfermaria destinados a pacientes covid-19.  

Estranhamente, figuras de proa da saúde de Tangará da Serra trabalham nos bastidores e com ênfase, no mínimo suspeita, defendem a permanência da Medicar na gestão dos leitos covid-19. Obviamente que esse lobby não pode prosperar, sob pena de aumentar o número de mortes por covid-19, já que a empresa deixou muito a desejar.  

Antes da Medicar assumir a gestão dos leitos de enfermaria e de UTI covid-19, a Famvag prestou os mesmos serviços ao município de Tangará da Serra e seu desempenho, comprovado por resultados positivos, foi infinitamente superior. A Famvag tinha responsável técnico, disponibilizou especialistas, cumpriu a legislação, valorizou seus contratados e, no auge da pandemia, conseguiu achatar a curva de mortes. Já a Medicar foi uma lastima!  

Uma reportagem do site Bem Notícias, em publicação do dia 31 de março, apresenta resumido comparativo entre o desempenho da Famvag e da Medicar. Leia e tire sua própria conclusão. Nossa reportagem vai acompanha esse caso de perto.

Afinal, a saúde da população não tem preço.

Destacou o Bem Notícias:

Um comparativo feito pela reportagem do site revela que a empresa Famvag S.A contratada em 2020 para gerir as operações médicas do Hospital Municipal de Tangará da Serra (HMTS) para atendimento exclusivo de pacientes contaminados pela Covid-19, obteve índices relevantes no quesito eficiência.

A empresa foi contratada em 18 de junho e operou até 18 de novembro do ano passado, quando seu contrato venceu e outra empresa passou a gerir as operações médicas do Município. Especializada em serviços médicos e com tradição no mercado mato-grossense, atuando também no Hospital Metropolitano de Várzea Grande, destinado a pacientes com Covid-19, a FamVag alcançou números que impressionam em Tangará.

Com a FamVag no gerenciamento das Unidades de Terapia Intensiva (UTI), os dados revelam que de 18 de junho a 18 de novembro do ano passado, no ápice da taxa de ocupação dos 13 leitos em 95%, com 89% de ocupação dos leitos de enfermaria, a cidade registrara até então 79 óbitos, 6 mil curados e a maior taxa de cura de Mato Grosso, com índice de 98%.

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