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BLOG / CRISE NA COMUNICAÇÃO

Prefeito de Tangará da Serra tropeça na comunicação e amplia o desgaste público

Escândalo dos exames e declarações desencontradas expõem dificuldade da prefeitura em dialogar com a população

Da Redação
Blog Edição MT



“Quem não se comunica, se trumbica!”. O bordão do saudoso Chacrinha permanece atualíssimo. Um exemplo prático pode ser visto em Tangará da Serra, onde o prefeito Vander Masson (União) apanha nas redes sociais e em setores da imprensa, vítima de uma notória incapacidade de se comunicar com a população.

O escândalo dos exames falsificados expôs a fragilidade do gestor justamente nessa área sensível. Em seu entorno, pessoas sem a expertise necessária para os cargos que ocupam ajudam a tornar ainda mais opaca a comunicação oficial — se é que ela existe.

Nas redes sociais, páginas passaram a pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso dos exames, sob o argumento de que a ausência de uma CPI na Câmara de Vereadores significaria empurrar o problema para debaixo do tapete e garantir a impunidade de eventuais culpados. A narrativa, porém, não se sustenta.

CPI não pune ninguém.

Ela apenas investiga e, ao final dos trabalhos, apresenta um relatório que pode sugerir o indiciamento de pessoas por determinados crimes, apontar responsabilidades administrativas ou políticas e recomendar mudanças na legislação.

Diferentemente de uma investigação policial, o indiciamento sugerido por uma CPI não tem efeito direto de denúncia criminal. O relatório é encaminhado aos órgãos competentes, especialmente ao Ministério Público, que decide se oferece ou não denúncia.

Alegar que a Câmara precisa montar um palanque político para “investigar o caso”, sob pena de fazer vista grossa ao problema, não é apenas balela. É também uma ofensa à Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, que conduz a investigação com rigor e celeridade, e um desprestígio ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso, que acompanha o caso de perto.

Enquanto isso, até a lojinha da esquina tem estratégia de comunicação e consegue dialogar com seus clientes. A gestão Vander Masson, que dispõe de recursos para contratar profissionais qualificados, parece fazer o contrário: cada manifestação pública complica ainda mais a situação.

Exemplo disso foi a desastrada entrevista coletiva convocada para esclarecer o nebuloso caso. O soneto ficou pior que o remendo.

Por fim, em entrevista a uma emissora de rádio, Vander Masson, na falta do que dizer, falou pelos cotovelos e chegou a sugerir que a população contratasse plano de saúde se quisesse atendimento de melhor qualidade.

Uma frase que, por si só, ajuda a explicar por que o velho bordão de Chacrinha continua tão atual.

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