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COLUNISTAS Sexta-feira, 24 de Outubro de 2025, 05:08 - A | A

24 de Outubro de 2025, 05h:08 - A | A

COLUNISTAS / CRÔNICA DO COTIDIANO

A água da minha rua que virou nuvem

Um olhar poético sobre o ciclo da vida que se reflete nas poças, sobe aos céus e retorna em forma de chuva.

Da Redação
Retratos da Comunidade



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Hoje de manhã, depois da chuva, a rua ainda brilhava.

Pequenas poças refletiam o céu, e eu fiquei pensando que, dentro de algumas horas, aquele espelho d’água se desmancharia no ar. A água da minha rua, silenciosa e comum, subiria invisível para o alto, empurrada pelo calor do sol.

Lá em cima, longe dos meus olhos, ela se reuniria a milhões de outras gotas evaporadas de rios, mares, telhados, lágrimas e sonhos. Formariam nuvens — blocos de algodão flutuando, carregados de histórias que já foram chão.

E um dia, quando o céu se cansasse de tanto guardar, ela voltaria. Voltaria talvez como chuva fina, talvez como temporal. Mas voltaria — lavando de novo a rua, molhando de novo as raízes, e fechando o círculo eterno entre o céu e a terra.

Porque a água é assim: nunca vai embora de verdade. Apenas muda de lugar para continuar existindo.

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