Da Redação
Retratos da Comunidade
Hoje de manhã, depois da chuva, a rua ainda brilhava.
Pequenas poças refletiam o céu, e eu fiquei pensando que, dentro de algumas horas, aquele espelho d’água se desmancharia no ar. A água da minha rua, silenciosa e comum, subiria invisível para o alto, empurrada pelo calor do sol.
Lá em cima, longe dos meus olhos, ela se reuniria a milhões de outras gotas evaporadas de rios, mares, telhados, lágrimas e sonhos. Formariam nuvens — blocos de algodão flutuando, carregados de histórias que já foram chão.
E um dia, quando o céu se cansasse de tanto guardar, ela voltaria. Voltaria talvez como chuva fina, talvez como temporal. Mas voltaria — lavando de novo a rua, molhando de novo as raízes, e fechando o círculo eterno entre o céu e a terra.
Porque a água é assim: nunca vai embora de verdade. Apenas muda de lugar para continuar existindo.




