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POLÍCIA Quarta-feira, 30 de Junho de 2021, 08:31 - A | A

30 de Junho de 2021, 08h:31 - A | A

POLÍCIA / TANGARÁ DA SERRA

CASO MUVUCA: Desembargadora do TJ diz que tragédia teria sido evitada se Nádia tivesse pedido ajuda a justiça

Allan Pereira e Felipe de Albuquerque
Rdnews



Odesfecho da empresária e farmacêutica Nádia Mendes Vilela, de 33 anos, que foi vítima de uma tentativa de feminicídio e está em coma induzido em uma UTI, poderia ter sido diferente caso tivesse procurado anteriormente a Justiça. É o que acredita a presidente do Tribunal do Justiça, a desembargadora Maria Helena Póvoas, em uma live para o RDTV.

“A motivação da grande maioria das mulheres que sofre esse tipo de abuso é passional”, disse a magistrada.

Nádia foi atingida com três disparos de arma efetuado pelo jornalista José Marcondes, o Muvuca, que morreu em decorrência de um tiro efetuado contra si mesmo depois de ter tentado matar a ex-namorada. Ele não aceitava o término do relacionamento e foi até a farmácia de propriedade da empresária, no Centro de Tangará da Serra, para conversar. Imagens do circuito interno do estabelecimento mostram o momento que, após um desentendimento, Muvuca dispara contra a farmacêutica.

A presidente do TJ disse que o impulso passional se dá em razão do ex-parceiro querer o retorno do relacionamento e ouvir um não da mulher, como foi o caso de Muvuca com Nádia. “Geralmente, é o que acontece. A mulher é procurada pelo ex-parceiro e, a partir da negativa dela de reatar, começam-se as ameaças, podendo chegar até onde chegou esse caso, lamentavelmente”.

“Provavelmente, se ela tivesse procurado a Justiça, não teria tido desfecho como esse. Mas é muito comum também que as mulheres de classe média relutam em denunciar. Elas relutam por vergonha, são figuras conhecidas no seio da sociedade, não quer expor a intimidade. Enfim, uma série de argumentos e situações que ela evoca que não foi procurar uma ajuda ou denunciou o fato

“Provavelmente, se ela tivesse procurado a Justiça, não teria tido desfecho como esse. Mas é muito comum também que as mulheres de classe média relutam em denunciar. Elas relutam por vergonha, são figuras conhecidas no seio da sociedade, não quer expor a intimidade. Enfim, uma série de argumentos e situações que ela evoca que não foi procurar uma ajuda ou denunciou o fato”, complementa Maria Helena.

A desembargadora cita um dado de que 70% das mulheres vítimas de feminicídios ocorridos em Mato Grosso não procuraram a polícia. Também foi o caso da empresária Nádia. A reportagem do  apurou com fontes locais que ela nunca chegou a denunciar nenhum tipo de violência feito por Muvuca contra ela por acreditar que ele nunca chegaria ao ponto de matá-la.

Maria Helena disse que é necessário quebrar essa relutância da mulher de não buscar ajuda com autoridades e garante que, denunciado a violência, estará amparada pela Justiça. Assumindo a presidência do TJ neste ano, uma das pautas e lutas da gestão da desembargadora tem sido o combate a violência contra a mulher. Ela lançou junto com a Polícia Civil, na semana passada, o aplicativo ‘SOS Mulher MT’ que permitirá às vítimas o acesso ao Botão do Pânico bem como o portal Medida Protetiva Online.

Nádia segue internada em estado grave no Hospital e Maternidade de Santa Ângela. Ela tem reagido bem aos procedimentos médicos e o quadro é considerado estável, mas uma bala ainda está alojado no pulmão e um dreno foi instalado para retirar a hemorragia. Ela ficou ferida na mão, cabeça e tórax.

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