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POLÍTICA Sábado, 11 de Abril de 2020, 15:06 - A | A

11 de Abril de 2020, 15h:06 - A | A

POLÍTICA / TANGARÁ DA SERRA

Vereador culpa gestão pela falta de leitos de UTI: “fiz minha parte, dinheiro está na conta desde 2017”

EDÉSIO ADORNO
Tangará da Serra



O que preocupa a população de Tangará da Serra não é exatamente a possibilidade de disseminação, em escala comunitária, do coronavírus e sim a falta de estrutura da rede pública municipal de Saúde. A revelação do prefeito Fábio Martins Junqueira (MDB) de que o município dispõe apenas de um leito de UTI equipado com respirador em condições de atender eventuais casos de covid-19 causou indignação e perplexidade na sociedade.  

A capacidade de enfrentamento da pandemia poderia ser outra e bem mais confortável. O fechamento do comércio e a suspensão de várias atividades econômicas, sociais, esportivas, educacionais e religiosas foi a alternativa mitigadora que o chefe do executivo municipal encontrou para compensar sua incompetência administrativa.  

A realidade de Tangará da Serra seria outra e bem menos angustiante se o prefeito tivesse tratado a saúde como prioridade ao longo de sua gestão. Não faltou dinheiro e sim eficiência na gestão. Os 10 leitos de UTI do Hospital Municipal já poderiam estar devidamente equipados, conveniados com o Ministério da Saúde e em pleno funcionamento. O dinheiro para aquisição desses equipamentos foi viabilizado, por meio de emenda parlamentar, pelo vereador Rogério Silva, à época no exercício do mandato de deputado federal.  

O vereador e ex-deputado federal, Rogério Silva, falou com a imprensa de Tangará da Serra, na manhã deste sábado. Ele reiterou que o montante de R$ 1.400,000,00 descansa na conta da prefeitura desde o final de 2017. “Fiz minha parte, conseguimos o dinheiro. A responsabilidade pela licitação e compra dos equipamentos para os leitos de UTI é do município”, declarou o parlamentar.  

No final de abril de 2019, o jornal Diário da Serra questionou a gestão municipal o fato do dinheiro está parado na conta do município, aquela época, há mais de um ano, sem que providencias fossem tomadas para colocar em funcionamento os leitos de UTI do hospital municipal.  

“Apesar de mais de um ano desde que o valor foi depositado pelo Ministério da Saúde na conta da prefeitura, o Hospital Municipal não conta com UTI, causando preocupação para a população. A situação foi retratada pela reportagem do Diário da Serra na edição desta segunda-feira, 22, relatando que apesar de uma grande estrutura, o Hospital Municipal não conta com UTI, ocasionando até mesmo mortes devido a falta da especialidade”, destacou a publicação.

Ainda em 2019, segundo a reportagem do Diário da Serra, a então secretária de Saúde, Dienifer Jaqueline Feix, teria dito: “Já estamos adquirindo os materiais. Nossa atual prioridade é o centro cirúrgico, estamos montando licitação para contratar e equipe médica. A UTI ficará para um segundo momento, nossa prioridade é a cirurgia para que possamos parar de mandar o paciente para Cuiabá”.

O tempo mostrou que prioridade não era UTI e nem centro cirúrgico. Não fizeram nem uma coisa e nem outra.  

“Não é justo não ter leitos de UTI e Centro Cirúrgico no Hospital Municipal de Tangará da Serra. Os procedimentos de urgência e emergência, conforme a situação, esse paciente tem que ser encaminhado para Cuiabá. O translado até Cuiabá, a equipe que envolve na transferência de um paciente, acaba tendo um custo alto, sem falar no tempo resposta, que dá a vida e tira a vida ao mesmo tempo. Essa foi nossa preocupação quando fizemos a propositura da emenda”, explicou Silva  

O vereador fez questão de desconstruir o discurso de Junqueira, que sempre alega falta de recursos financeiros. Rogério entende que os leitos de UTIs podem ser conveniados com o Ministério da Saúde. “A UPA recebe repasse de R$ 250 mil por mês do governo federal. As Unidades de Saúde, boa parte delas, está conveniada e recebe um repasse mensal para custeio”, afirmou  

“A gente conhece a realidade de nosso município, a gente já sabe quantas vidas foram perdidas por falta de um leito de UIT”, lamentou o vereador. Segundo ele, os leitos de UTI Já eram para estar em pleno funcionamento desde o final do 1º semestre de 2018. “É uma atribuição do executivo. A gente fica muito triste saber que o recurso está na conta e não fizeram a coisa andar”.  

“Tangará da Serra, pelo porte que é, esses equipamentos já deveriam estar em funcionamento. A cidade merece isso, a população merece. Falta de cobrança não foi. Fizemos a cobrança e outros colegas também fizeram. Estamos pagando o preço”, concluiu o vereador.            

Resumo da opera

É possível extrair da fala do vereador e da realidade subjacente a pandemia do coronavírus uma triste constatação: o prefeito Fábio Martins Junqueira foi negligente para com a saúde pública.  

Ele tem conhecimento do quantitativo de vidas que foram perdidas devido à falta de um centro cirúrgico e de leitos de UTI no hospital municipal.  

A negligência de Junqueira, misturada com incompetência administrativa, custou preciosas vidas. Essa desídia do passado, infelizmente projetou seus reflexos para os dias atuais.  

Fechar o comércio, impor pesados sacríficos a população, gerar desemprego em massa, causar instabilidade social e forçar o cancelamento de centenas de CNPJ não é obra do acaso e nem culpa exclusiva do coronavírus.  

O dinheiro para instalar e equipar 10 leitos de UTI no hospital municipal está na conta da prefeitura há quase três anos. Nada foi feito. A saída encontrada pelo prefeito foi terceirizar com empresários e moradores de Tangará da Serra o resultado de sua incúria administrativa. “Estamos pagando o preço”, segundo disse o vereador Rogério Silva        

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Edson Alberto Maia 12/04/2020

Estamos sim pagando o preço , sabemos que em varios outros âmbitos do desenvolvimento de Tangará Da Serra, dadas as proporções é condições deste municipio/ esta gestão foi aniquiladora retardatária para nós . A saúde é o istupim ou gatilho de um sério e grave problema de falta de competência que se revela através do COV19 provocando toda essa angústia a nossa querida TANGARÁ DA SERRA. com sério risco de comprometimento social. Eu vejo isso com muito pesar.

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