Da Redação
A Bronca Popular
Imagem/Edição: Abronca Popular
Segurança sucateada, serviços públicos em colapso e um Estado à deriva. Esse foi o saldo do desastre Taques no Governo de MT
O ex-governador Pedro Taques reaparece no debate público tentando vestir a fantasia de paladino da moralidade e profeta da eficiência administrativa. O problema é que os fatos — teimosos — desmontam o personagem.
A gestão Taques no Governo de Mato Grosso foi catastrófica.
O Estado mergulhou numa crise fiscal profunda que se materializou no cotidiano da população: viaturas paradas por falta de combustível, serviços públicos operando no limite, atrasos a fornecedores, gargalos na saúde, colapso logístico na segurança pública e um ambiente de instabilidade permanente.
Não foi um tropeço pontual; foi um modo de governar que empurrou serviços essenciais para a beira do abismo.
O servidor público, hoje alvo de juras tardias de amor, foi tratado como vilão.
Houve confronto aberto com categorias, retórica agressiva contra sindicatos e sindicalistas, demonização do funcionalismo e uma política de arrocho que transformou trabalhadores em bodes expiatórios da crise.
O discurso era duro; a prática, mais ainda.
Quem viveu aquele período sabe: Taques foi carrasco, não aliado.
O juízo popular veio rápido e implacável.
Na tentativa de reeleição, sofreu derrota acachapante — um recado claro de reprovação à sua administração. Dois anos depois, em 2020, tentou retornar pela porta lateral, disputando a eleição suplementar ao Senado.
Nova rejeição.
O eleitor falou de novo. E falou alto.
Agora, a metamorfose.
O ex-governador se apresenta como guardião da ética, invoca “eficiência administrativa” como mantra e posa de defensor do servidor. A mudança tem causa específica e transparente: o sonho de voltar ao Senado da República. Não é conversão; é conveniência. Não é autocrítica; é amnésia seletiva.
Mas há um detalhe que Taques parece subestimar: o povo tem memória. Lembra do Estado paralisado, das escolhas que sacrificaram serviços essenciais, da retórica beligerante contra quem segurou a máquina pública nos piores momentos. Lembra das derrotas eleitorais que não foram acidentes, mas veredictos.
A política permite recomeços, mas exige verdade. Quem quer falar de eficiência precisa responder pelos caos que produziu. Quem promete respeito ao servidor precisa explicar por que o atacou quando governava. E quem clama por moralidade deve começar pelo espelho.
Fantasia não reescreve a história. A memória coletiva, sim. E ela não esqueceu.




