Da Redação
A Bronca Popular
Na política, o confronto é esperado. No Direito, a prova é indispensável. O problema surge quando a retórica ignora os autos e tenta sobreviver apenas no eco das redes sociais, como tenta fazer Pedro Taques (PSB), o ponta de lança de Lula e coadjuvante do PT em Mato Grosso.
O embate em torno do acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa OI deixou de ser mera divergência técnica. Transformou-se em um caso emblemático de guerra de narrativas — onde acusações de forte impacto convivem com certidões judiciais, decisões do Supremo Tribunal Federal e números oficiais que contam uma história muito diferente - para dizer o mínimo.
Enquanto o ex-governador Pedro Taques intensifica sua ofensiva verbal e eleitoreira, documentos apresentados por procuradores do Estado introduzem um elemento incômodo ao debate: a materialidade dos fatos.
A tese de prescrição, amplamente vocalizada, não encontrou abrigo na mais alta instância do Judiciário. Certidão do STF aponta que o trâmite processual observou os prazos legais. O argumento central ruiu onde realmente importa — nos autos.
A alegação de ilegalidade enfrenta obstáculo igualmente robusto: o acordo foi homologado judicialmente. Trata-se de um detalhe jurídico impossível de ser contornado por retórica inflamada.
Já a narrativa de obrigatoriedade automática via precatório ignora nuances processuais essenciais. A devolução ocorreu dentro do mesmo processo em que houve o levantamento do depósito judicial — interpretação validada pelas instâncias competentes.
Mas é no campo financeiro que a retórica politiqueira de Taques encontra seu teste mais severo.
A dívida estimada em cerca de R$ 598 milhões foi reduzida para R$ 308 milhões. A economia substancial aos cofres públicos constitui dado objetivo, verificável e resistente à dramatização política
A dívida estimada em cerca de R$ 598 milhões foi reduzida para R$ 308 milhões. A economia substancial aos cofres públicos constitui dado objetivo, verificável e resistente à dramatização política.
O episódio revela algo maior que o próprio acordo.
Escancara o choque entre duas lógicas distintas:
a do discurso político e a da realidade jurídica.
Na arena eleitoral, narrativas sobrevivem pela repetição.
Nos tribunais, sobrevivem pela prova.
Quando acusações passam a orbitar sem novos fatos, quando o debate técnico cede espaço à personalização do conflito, instala-se um fenômeno conhecido nos bastidores políticos: o desgaste da própria narrativa.
A oposição é pilar da democracia. O questionamento é saudável. A divergência é necessária.
Mas existe uma fronteira delicada — e perigosa — entre crítica institucional e construção de tempestades retóricas.
No fim, resta a pergunta que ecoa além do ruído político: Quando o barulho diminui, o que permanece — o discurso ou os documentos? Obcecado pela ambição de retornar ao Senado, Pedro Taques ignora fatos, lógica e fundamentos jurídicos ao apostar nas redes sociais como um encantador de serpentes.







