Da Redação
A Bronca Popular
O pretenso candidato ao governo de Mato Grosso, o senador Jayme Campos (União Brasil), fiel ao velho estilo falastrão de Várzea Grande, lançou uma grave acusação de sonegação fiscal contra o mega produtor rural, ex-senador, ex-governador e ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP).
“Blairo Maggi não paga Fethab. Sabe quanto ele deveria, no mínimo? R$ 2 bilhões. Tem uma liminar. Se eu for governador, vou atrás e caçar essa liminar. Ele vai pagar tudo, ele e outros 51”, disparou o vetusto senador.
Blairo Maggi negou ser beneficiário de qualquer liminar, afirmou que paga cerca de R$ 415 milhões por ano ao Fethab, referentes à produção de soja, classificou as declarações como totalmente improcedentes e ainda ofereceu R$ 100 mil de recompensa a quem apresentasse a suposta liminar que o favoreceria.
Na terça-feira (03), parte da imprensa publicou o extrato de uma ação de 2013 (Mandado de Segurança) que tramitou na 4ª Vara da Fazenda Pública, na qual o juiz Paulo Márcio Soares de Carvalho concedeu liminar exclusivamente para suspender a cobrança do Fethab sobre energia elétrica, beneficiando ao menos cinco hidrelétricas (PCHs) ligadas ao grupo Amaggi. Em outubro de 2021, a liminar foi confirmada por sentença do juiz Gerardo Humberto Silva Junior, que reconheceu a ilegalidade da cobrança, uma vez que somente a União pode legislar e tributar energia elétrica.
O recurso em segunda instância foi considerado prejudicado porque, em 2024, uma nova lei estadual suspendeu o artigo já considerado inconstitucional. Ou seja: a liminar não existe mais — nem a lei que lhe deu origem.
Ainda assim, devotos de Jayme Campos passaram a espalhar nas redes sociais recortes dessa decisão envolvendo PCHs para tentar dar aparência de verdade à mentira deslavada lançada contra Blairo Maggi e outros 51 produtores rurais.
Só há um problema: Jayme acusou Blairo e dezenas de produtores de não pagar Fethab sobre soja. Ressuscitar uma ação sobre tributação de hidrelétricas não transforma falsidade em fato.
Como ensina a Lei de Murphy: quando a origem é viciada, o resultado é inevitavelmente desastroso. Misturar alho com bugalhos não resolve — apenas expõe a fake news e reforça a obrigação de retratação.





