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POLÍTICA Domingo, 16 de Fevereiro de 2020, 11:08 - A | A

Domingo, 16 de Fevereiro de 2020, 11h:08 - A | A

JOGO DE EMPURRA

Junqueira corta transporte escolar e sugere que estudantes pobres andem a pé

O chefe do Executivo afirmou ainda que os estudantes podem pegar carona, usar bicicleta ou o transporte público

EDÉSIO ADORNO
Tangará da Serra

O prefeito Fábio Martins Junqueira (MDB) gravou um vídeo de exatos 58 minutos para, segundo ele, esclarecer de uma vez por todas a celeuma criada em torno do transporte escolar para estudantes das series iniciais até o ensino médio que residem no perímetro urbano da cidade.  

Não esclareceu nada.  

Uma fala prolixa, enfadonha, nada esclarecedora e demasiadamente longa. Haja saco para assistir um longa-metragem de uma hora de duração. O sacrifício faz parte dos ossos do ofício. Fui escalado por mim mesmo para ouvir, analisar, interpretar e opinar sobre a ladainha de Junqueira.  

Primeira conclusão - um homem sem poder de síntese não deveria gravar vídeos. O loquaz torra a paciência das pessoas e desrespeita seu interlocutor. Qualquer semelhança com Junqueira não terá sido nenhuma coincidência.  

O que muda com o pacote da maldade da educação  

O pacite de medidas anunciado pelo chefe do Executivo gerou mais questionamentos, acendeu a indignação de pais, causou revolta e fez explodir protestos nas ruas e nas redes sociais.  

O que ele chamou de normativas do transporte escolar e de readequação do número de alunos em sala de aula é, na verdade, um tremendo pacote da maldade.  

Direitos básicos foram retirados e, de quebra, dificultou a vida de pais e alunos, entupiu as salas de aula, sobrecarregou professores e estrangulou todo o sistema de educação do município. A gritaria é geral.  

Favorecimento a empresários do transporte coletivo  

Observadores mais atentos enxergam que atrás do corte do transporte escolar ou redução de sua abrangência, pode existir algo bem mais cabeludo: favorecimento a empresa de transporte público, que vai ter um aumento exponencial em seu faturamento anual.  

Junqueira declarou, num vídeo postado em suas redes sociais, que os estudantes da zona rural serão despejados na primeira escola, ou seja, a mais próxima do ponto de partida.  

Fábio foi além e afirmou que estudantes do ensino médio que moram na periferia não serão atendidos pelo transporte escolar do município. Estudantes da rede municipal e do estado, algo em torno de três mil estudantes, terão que andar a pé, de bicicleta, carona ou pegar o buzão.  

Se desse universo de estudantes, apenas a metade optar pelo transporte coletivo, a empresa terá seu faturamento anual turbinado anualmente com R$ 1.212.750,00. Isso levando em conta que a Lei Nº 2.677/2007 garante aos estudantes de 1º, 2º, 3º graus e estudantes do ensino técnico profissionalizante gozam do benefício de 1/2 (meia) passagem no transporte coletivo urbano.  

O cálculo é simples.

Basta pegar 1.500 passageiros, multiplicar pelo valor da passagem (R$ 3,85), chega-se ao faturamento diário de R$ 5.775,00. Esse montante multiplicado pela quantidade de dias/aula do ano letivo (210) chega-se a espetacular soma de R$ 1.212.750,00. “Isso é para comemorar em pé”, diriam os empresários do setor.  

Bolsonarista ou marxista?  

Fábio Junqueira se diz adepto do presidente Jair Bolsonaro, alega defender o liberalismo econômico e os valores da família tradicional. Formalmente, adota o discurso de direita; substantivamente, é um marxista de carteirinha.  

A gênese da perversidade que acaba de perpetrar contra a comunidade escolar está no econômico. Se empregasse a teoria de Sigmund Freud, que coloca no sexo a causa dos males sociais, seria até compreensível. Preferiu recorrer aos ensinamento de Carl Marx, para quem todos os problemas originam, não do sexo, mas do econômico/financeiro.  

De acordo com Junqueira, o transporte escolar de alunos da zona rural do município e da rede estadual onera os cofres da prefeitura em quase R$ 9 milhões por ano e a participação do estado, segundo fez questão de frisar, seria pífia, irrisória.  

Ele considera que a educação gera despesas, o que é uma avaliação falsa. A educação não pode ser avaliada apenas do ponto de vista monetarista. Não há despesa com educação e sim investimento com retorno absolutamente garantido.  

O estudante, seja ele matriculado na Unemat, no IFMT, em escola estadual ou municipal, ele será sempre aluno da rede pública de ensino. Penalizar o estudante sob esse pretexto é estupidez. Os impostos que os pais pagam são rateados entre estado, município e governo federal.  

É responsabilidade do prefeito, dos deputados, dos vereadores e demais atores políticos encontrar uma alternativa para não aumentar a evasão, escolar, para não impor sacrifícios desnecessários aos pais e alunos e garantir transporte escolar e ensino de qualidade para todos.

Reação popular

Movimento de mães Todos Unidos pela Educação se mobiliza em portesto contra as medidas anunciadas pelo prefeito Junqueira. Lideranças do movimento já se reuniram com vereadores e organizam novas manifestações. Vamos tratar desse assunto em um próximo post.  "Estamos uma pilha de nervos contra esse prefeito", avisa uma moradora do Bela Vista.           

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Jansler bender 16/02/2020

Pilantra , vagabundo e safado , está e a minha opinião sobre ele , e assim q tiver a oportunidade direi na ca a dele , isso não vai demorar .

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1 comentários

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