Da Redação
A Bronca Popular
No próximo dia 3 de março, Nova Xavantina celebra 46 anos de emancipação política e administrativa.
O desmembramento de Barra do Garças representava, à época, um antigo sonho dos moradores de Xavantina e Nova Brasília. A união dos nomes das duas comunidades deu origem ao município, banhado e conectado pelo lendário Rio das Mortes — o rio da vida e da prosperidade.
As lideranças políticas daquele período difundiam as promessas associadas à emancipação: independência, autonomia, rompimento do cordão umbilical com Barra do Garças e desenvolvimento próprio.
Quase cinco décadas depois, porém, a realidade se impõe de forma dura e decepcionante— motivo de vergonha ou de falta dela para a classe política e de frustração para os moradores.
Embora formalmente independente, Nova Xavantina mantém dependência de Barra do Garças, especialmente na área da saúde pública. E quem explicita essa realidade vergonhosa não é a oposição, mas a própria Prefeitura de Barra do Garças, por meio de dados oficiais.
Com base em informações do DATASUS, PPI SES-MT, Portaria nº 0200/2024/GBSES e TABWIN, o município vizinho detalhou o impacto financeiro provocado pelo atendimento a pacientes de outras cidades.
Entre janeiro e outubro de 2025, Barra do Garças desembolsou R$ 8.732.898,91 exclusivamente com atendimentos a moradores de fora. Nova Xavantina lidera o ranking, com custo de R$ 2.140.310,10
Entre janeiro e outubro de 2025, Barra do Garças desembolsou R$ 8.732.898,91 exclusivamente com atendimentos a moradores de fora. Nova Xavantina lidera o ranking, com custo de R$ 2.140.310,10.
Os números revelam uma contradição incômoda: Nova Xavantina se desmembrou politicamente, mas segue estruturalmente dependente de Barra do Garças.
O vereador Francys (PL) demonstra na prática que a saída para a saúde pública de Nova Xavantina ainda passa pela ambulancioterapia.
Ligado à base de bajulação do prefeito, o parlamentar aposta no transporte de pacientes para Barra do Garças ou Cuiabá como estratégia de resposta às deficiências do sistema.
Nesse contexto, Francys reivindicou uma ambulância ao deputado estadual Elizeu Nascimento (NOVO). Pedido atendido, com recurso já depositado na conta da prefeitura.
“O recurso destinado por meio de emenda parlamentar para a compra de uma ambulância já está na conta do município. Atendemos prontamente a solicitação do nosso grande amigo, o vereador Francys”, afirmou Elizeu.
Realidade preocupante
Os dados oficiais recentes escancaram um cenário preocupante na saúde pública de Nova Xavantina. Apesar de a gestão municipal destacar avanços pontuais na média complexidade, como cirurgias bariátricas, a estrutura permanece marcada por deficiências graves.
A ausência de UTI neonatal, as filas persistentes para consultas e cirurgias e a carência de profissionais revelam um sistema pressionado e incapaz de atender plenamente à demanda.
Diante das limitações locais, consolidou-se a chamada ambulancioterapia.
O Tratamento Fora de Domicílio (TFD), previsto como mecanismo complementar no SUS, tornou-se prática recorrente, transformando Barra do Garças e Cuiabá em destinos quase obrigatórios para casos mais complexos.
O discurso de avanço administrativo não elimina a percepção de precariedade.
Procedimentos isolados não compensam a falta de estrutura permanente.
Na prática, a transferência constante de pacientes deixou de ser exceção e passou a funcionar como válvula de escape para um sistema que segue operando no limite da precariedade, da falta de gestão e de investimento.











FRANCISCO CAETANO ROSA FILHO 26/02/2026
NAO CONCORDO COM ESTE CONTEÚDO, REPORTAGEN TENDENCIOSA.
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