Da Redação
A Bronca Popular
Astuto como uma raposa, ardiloso como um dedicado discípulo de Maquiavel, sedento por sangue como as piranhas do Pantanal e altamente preocupado com a reeleição, o deputado Wilson Santos (PSD), fiel escudeiro do senador licenciado e ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), liderou a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
O objetivo formal é aprofundar a apuração de possíveis fraudes em licitações, contratos e procedimentos administrativos na Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), entre 2019 e 2023, no âmbito da Operação Espelho. A investigação foi deflagrada em 2021 pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor-MT) para apurar supostas fraudes e desvios em contratos e licitações da pasta, especialmente durante a pandemia de Covid-19.
A movimentação política do parlamentar, contudo, atenderia a interesses evidentes:
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Criar um palanque eleitoral com potencial de desgaste ao governador Mauro Mendes, o que, em tese, poderia beneficiar Carlos Fávaro, que busca viabilizar sua reeleição ao Senado;
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Utilizar a CPI como instrumento de pressão política sobre Mauro Mendes, provável candidato ao Senado, durante os 180 dias de funcionamento da comissão — aproximadamente seis meses, período que coincide, em grande parte, com o calendário eleitoral;
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Oferecer visibilidade estratégica à deputada Janaina Riva, também postulante a uma das cadeiras no Senado, que poderá explorar a vitrine da CPI para confrontar o governador e fortalecer sua candidatura;
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Projetar Wilson Santos junto ao eleitorado alinhado ao presidente Lula em Mato Grosso, numa tentativa de ampliar sua base e pavimentar o caminho para a própria reeleição.
Em síntese, a CPI da Saúde, que se propõe a investigar fatos já sob análise da Deccor-MT, do MPE e do judiciário desde 2021, seria menos um esforço investigativo genuíno e mais uma engrenagem do jogo político, com atores políticos em busca de projeção e capital eleitoral.







