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POLÍTICA Sábado, 30 de Maio de 2020, 23:30 - A | A

30 de Maio de 2020, 23h:30 - A | A

POLÍTICA / UTI FANTASMA

Enfermeira com covid-19: indagado se Tangará não tem leitos de UTI, prefeito responde e apaga resposta

Tangará da Serra talvez seja uma das poucas cidades do Brasil que tem UTI Fantasma

EDÉSIO ADORNO
Tangará da Serra



Habituado a surfar nas redes sociais, o prefeito Fábio Junqueira Martins (MDB) não teve como se esquivar de uma pergunta formulada pela internauta Angela Lobo: “prefeito, estão falando que uma enfermeira foi para uma UTI em Cuiabá gostaria de saber se não temos UTI em Tangará?”

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- Tem sim Angela. A opção de encaminhar a paciente para Cuiabá não foi do diretor do Hospital Municipal. Foi da médica intensivista do Hospital Santa Ângela. Não foi nem entubada. O Município tem respiradores, leito semi intensivo e podia ter ficado em leito de UTI isolado. Mas a intensivista regulou para Cuiabá e não optou por atender no HM – escreveu Junqueira, que minutos depois apagou essa resposta.  

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Em sua resposta, Junqueira tenta minimizar o quadro clinico da técnica de enfermagem infectada pela covid-19, que foi removida, no início da noite de ontem (sexta-feira) para a Santa Casa de Cuiabá. “Não foi nem entubada”.  

A médica intensivista que recomendou a remoção da técnica de enfermagem para um hospital de Cuiabá de fato atende na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Santa Angela. Mas é efetiva da Secretaria de Saúde de Tangará da Serra desde 2006, portanto, há 14 anos.

Trata-se de uma médica sobretudo humana, técnica e absolutamente preocupada com a saúde e a vida de seus pacientes. Não apenas a técnica de enfermagem, mas uma outra mulher com covid-19 também foi removida, na semana passada, para Cuiabá.

 

A Bronca Popular/Reprodução

Wilson Verta

 

Denuncia de vereadores – na última sexta-feira, os vereadores Wilson Verta, Vagner Constantino e Claudinho Frare visitaram o Hospital Municipal e constaram a situação precária do que deveriam ser os 13 leitos de UTIs credenciados junto ao Ministério da Saúde, que inclusive já repassou para o Município o valor de R$ 1.872.000,00.  

O Fundo Nacional de Saúde (FNS) do Ministério da Saúde (MS) consolidou o repasse de R$ 2.311.911,55, em três parcelas, para o combate a pandemia do novo coronavírus em Tangará da Serra. Somados, a Secretaria de Saúde já recebeu R$ 4.183.911,55 para enfrentar a covid-19  

Durante a visita, os parlamentares identificaram a falta de equipamentos fundamentais ao funcionamento dos leitos de UTIs, bem como a falta de corpo técnico – médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, técnicos de enfermagem e até pessoal da limpeza e higienização do hospital.  

 

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Fábio contradiz Fábio - ainda sobre o caso da técnica de enfermagem removida para Cuiabá, Junqueira escreveu: “bastava ter mantido a paciente aqui onde ela estava internada. Há os leitos. Todos com oxigênio. Há respiradores. E se precisasse de UTI era a hora de pôr para funcionar. Contratei médicos, enfermeiras, técnicos e temos os nossos médicos e enfermeiros do quadro que estão no hospital”.  

 

 

Marcos Figueiró/Assessor de Imprensa

Vereador Claudinho Frare

 

Quando o prefeito afirma que “se precisasse de UTI era a hora de pôr para funcionar”, em verdade ele confessa que os leitos de UTIs não estão funcionado, até porque não se põe para funcionar o que funcionando já está.  

“Contratei médicos, enfermeiras e técnicos”. Essa afirmação do prefeito, segundo o vereador Wilson Verta, não guarda o menor nexo com a realidade. “Até agora, não houve processo seletivo para contratação de profissionais da saúde. Precisamos saber quando e como foram contratados os médicos, enfermeiros e técnicos, conforme afirma o prefeito”, se limitou a dizer o parlamentar.  

Inoperância do Hospital Municipal - dono de uma excelente retórica e capaz de manipular cérebros sem neurônios, Junqueira usa o Santa Angela e os profissionais que lá trabalham para disfarçar a inoperância do Hospital Municipal e camuflar a falta de gestão na saúde.  

“Um paciente da UNIMED foi regulado para o Santa Rosa em Cuiabá e uma outra foi encaminhada por decisão de médico do Hospital Santa Ângela, mas que poderia ter sido atendida no hospital Municipal. O Hospital Santa Ângela recebeu uma notificação para sanitizar pois muitos profissionais da UTI do hospital Santa Ângela foram considerados positivos e como também atuam no Municipal foram isolados e por isso decidiram enviar para Cuiabá”, escreveu Junqueira em resposta a um questionamento no Facebook.  

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Em sua fala, o prefeito deixa claro que médico do Santa Angela tem o poder de decidir quem deve ser internado ou não para tratamento de covid-19 no Hospital Municipal. Muito estranho isso. Cadê o secretário de Saúde para se explicar perante a sociedade? Ofender a médica intensivista do HM e culpar o Santa Angela pela falta de gestão da saúde municipal não atua a dor das famílias que precisam remover seus ente queridos para Cuiabá.

Concluindo – o Ministério Público, depois de um longo e tenebroso inverno, parece que vai tomar pé da situação e cobrar responsabilidade de quem de direito. O vereador Wilson Verta reclama da falta de transparência da gestão e da completa ausência de informação. Claudinho Frare e Vagner Constantino já acionaram o MPE e esperam respostas rápidas. A vida não pode esperar a burocracia estatal.

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