Da Redação
A Bronca Popular
A nota do presidente do STF, Edson Fachin, está longe de ser um gesto de esclarecimento institucional. É, na prática, uma peça de blindagem retórica, escrita para proteger decisões e personagens, não para enfrentar os fatos que causaram indignação pública.
Sob o verniz da solenidade jurídica, o texto evita o essencial: explicar por que decisões controversas foram tomadas e com quais fundamentos concretos.
Ao defender Dias Toffoli sem citar diretamente o caso que provocou reação nacional, Fachin aposta na abstração como escudo. Fala em legalidade, serenidade e Constituição, mas não encara o mérito, transformando o discurso institucional em fuga elegante. Em vez de fortalecer a confiança, alimenta a suspeita.
Mais grave é o tom intimidador.
Ao sugerir que críticas ao STF seriam tentativas de “desmoralizar a Corte” ou “provocar o caos”, o presidente do Supremo confunde fiscalização democrática com ataque institucional. É um erro incompatível com quem preside uma Corte Constitucional. Democracia não se protege silenciando críticos, mas tolerando — e respondendo — a eles.
A exaltação genérica da PF, da PGR e do Banco Central soa como cortina de fumaça. Ninguém questiona suas atribuições legais; questiona-se o uso seletivo do poder, chancelado por decisões judiciais que produzem efeitos imediatos e profundos. Dizer que tudo será analisado “oportunamente” não basta quando o dano já está feito.
No fim, a nota revela mais insegurança do que força. Instituições sólidas não se defendem com discursos autocelebratórios, mas com transparência, autocontenção e coragem de enfrentar o debate público.
Quando o STF reage à crítica como ameaça, enfraquece a si próprio — e à democracia que diz proteger.







