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POLÍTICA Quarta-feira, 14 de Abril de 2021, 14:09 - A | A

14 de Abril de 2021, 14h:09 - A | A

POLÍTICA / MORTE SOB SUSPEITA

Negligência da Medicar: mulher internada em Tangará com covid-19 pode ter morrido de lesão cerebral

Edésio Adorno
Tangará da Serra



Débora Brito, 28 anos, moradora do Jardim dos Ipês, em Tangará da Serra, morreu hoje no Hospital Municipal, onde fazia tratamento contra a covid-19. Devido ao agravamento do quadro clinico da moça, ela precisou ser sedada e intubada.

Depois de retirada a sedação, os médicos perceberam que a jovem senhora já estava sem vida.  

A causa da morte, obviamente que foi atribuída a complicações da covid-19. Nossa reportagem chegou essa informação com um tarimbado médico, que aceitou falar sobre o caso, desde que seu nome fosse preservado.  

Debora deu entrada na URA para se tratar de covid-19, mas sua morte pode ter sido causada por uma grave lesão cerebral, que sequer teria sido diagnosticada. “É muito comum a covid-19 causar complicação neurológica, como coágulos no cérebro, isquemia cerebral, arritmia cardíaca ou outra descompensação, como alteração na pressão arterial e frequência cardíaca”, pontua o médico  

“O paciente sedado precisa ter sua pressão arterial e pupila sob constante observação. Em se tratando de paciente covid-19 esses cuidados são ainda mais necessários porque é muito comum essa doença causar complicação neurológica”.  

Nossa reportagem apurou que Débora permaneceu internada durante 10 dias, sendo 7 dias entubada em leito de UTI. Retiraram a sedação da mulher e ela não acordou. Nesse caso, ensina o especialista, é obrigatório realizar investigação para ver se teve lesão cerebral e o grau dessa lesão. Não é possível saber se Debora foi submetida a exame apropriado.

“Possivelmente ela morreu de uma lesão cerebral como complicação do covid-19”, sugere o médico  

Ainda de acordo com o médico, é provável que tenha sido essa a situação da moça. Ela teria sofrido forte lesão cerebral e os responsáveis pela UTI não perceberam, não diagnosticaram o quadro grave de saúde dela. É mais fácil dizer que evoluiu para o óbito em razão de complicações da covid-19.

Como em casos de morte com suspeita de covid-19 não se faz necropsia, a resposta vai depender de exumação do corpo. Claro, caso haja interesse em esclarecer as causas da morte de Debora Brito, que deixa um filh de 8 anos.  

Morte previsível  

Nossa reportagem já denunciou que a empresa Medicar Emergências Médicas Campinas Ltda, contratada pela prefeitura, em novembro de 2020, pelo valor de R$ 5.231.305,32, para gerir a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e leitos clínicos de enfermaria exclusivos para covid-19, não disponibilizou especialistas e sequer tem Responsável Técnico (RT).

Falta quadro humano qualificado para prestar os serviços médicos que a população precisa.  

Ora, o médico que não sabe diagnosticar uma pessoa com lesão cerebral, derrame, hemorragia ou isquemia no cérebro, definitivamente não pode atuar em UTI. A Medicar teria contratado clínicos em inicio de carreira, sem experiência com UTI e sem especialidade. Vidas continuam sob risco!  

O corpo médico que atua em UTI deve ser formado por especialistas, porque cuida de pacientes graves, que facilmente descompensam e se não receber a atenção devida morrem. Isso significa que de uma hora para outra podem sofrer uma arritmia cardíaca, pressão arterial pode subir, assim como a frequência do coração.

Enfim, o paciente de UTI pode ter uma parada cardíaca e se o profissional que lá atua não sabe diagnosticar essa situação é morte na certa.  

O fiscal do contrato entre a Medicar e a prefeitura já fez seguidas denuncias contra a empresa nos órgãos de controle externo.

Até agora, segundo se sabe, nenhuma providência foi tomada. Depois da morte em situação suspeita dessa moça, o que se espera é investigação ampla, rigorosa e transparente.      

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Vanita 14/04/2021

Já soube de mortes de pessoas próximas que nem era covid, mas colocaram como se fosse. Isso pra mim não está passando de jogo político, uma falta de respeito com várias vidas em risco, UTI é coisa muito séria. Uma pessoa que está internada lutando pra sobreviver, morrer por negligência. Como essa empresa continua brincando com vidas ?

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