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BISTURI Sexta-feira, 18 de Junho de 2021, 00:05 - A | A

18 de Junho de 2021, 00h:05 - A | A

BISTURI / COMBATE A FOME

Guedes propõe cata xepa: resto de comida para os pobres

Edésio Adorno
Tangará da Serra



De acordo com pesquisa feita em dezembro de 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), mais de 116,8 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar ou passando fome no Brasil.  

O número, que é mais da metade do número de brasileiros, engloba pessoas que não se alimentam como deveriam, com qualidade e em quantidade suficiente.  

O desemprego, o alto preço dos produtos da cesta básica estão e a acachapante carga tributária estão na origem do problema. A solução, segundo o economista Joilson Cabral, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), seria o governo investir em políticas para reduzir o preço dos alimentos.  

“É preciso um estoque regulador para controlar a oscilação dos preços dos alimentos, além da redução de tributos, principalmente sob os alimentos da cesta básica”, afirma o especialista  

O ministro da Economia, Paulo Guedes, enxerga por outro prisma a fonte da fome no Brasil e tem uma solução mirabolante para o drama social enfrentado por mais de 116 milhões de brasileiros. Segundo ele, o brasileiro “enche o prato” e deixa “uma sobra enorme” de comida nas refeições. Ainda de acordo com Guedes, essa sobra de comida poderia ser aproveitada para alimentar os pobres.

A proposta do ministro já foi batizada de “cata xepa”.  

Guedes também culpou os restaurantes que, segundo ele, fazem “almoço” além do necessário, o que resulta na “refeição em excesso” do consumidor final de classe média.  

“Todo alimento não utilizado pode alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, desamparados... É muito melhor do que deixar estragar essa comida toda”, disse.  

Para o economista Joilson Cabral, com o aumento da pobreza na pandemia, a proposta de Guedes seria, além de ilógica, ineficiente. “Não é uma fala verdadeira, do ponto de vista econômico. O ministro está propondo uma espécie de “cata xepa”, para que os mais pobres lidem com os “restos”, afirma (Com conteúdo/Correio Braziliense)

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