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POLÍTICA Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020, 12:31 - A | A

Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020, 12h:31 - A | A

Colniza/Distrito de Guariba

VÍDEO! Chacareiro denuncia que agentes da Sema invadiram e saquearam seu barraco

Militares do Batalhão de Polícia Ambiental teriam participado da operação

EDÉSIO ADORNO
Tangará da Serra

“Cafundó do Judas, “confins do mundo”, “onde o vento faz a curva”, “onde o filho chora e a mãe não escuta”, “onde o Judas perdeu as botas”, “localidade onde o poder público apenas sobrevoa”.  

É bem provável que o leitor (a) já ouviu algumas dessas expressões. Todas elas tem praticamente o mesmo sentido. Servem para identificar o limite ou extremidade de um povoado encravado em algum ponto longínquo de centros urbanos.  

Essa é a realidade nua e crua de Guariba, um populoso distrito de Colniza, que está localizado a alguns quilômetros além do “Cafundó do Judas. Naquela região, sobreviver é sempre um ato de heroísmo.

E de heróis anônimos o povoado está repleto. Eles enfrentam a inércia do poder público, as vicissitudes e intempéries da natureza para sobreviver e ajudar na construção da riqueza do estado.  

Não bastasse levar uma existência ralada por sofrimento, humilhação, vergonha e privação até de estradas, trabalhadores da agricultura familiar ainda estariam enfrentando ação de truculência de agentes de fiscalização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA).  

Por meio de um vídeo enviado a redação do site, um camponês, que teme ter sua identificação revelada, mostra o que sobrou em seu barraco depois da invasão sofrida por servidores da Sema, que estariam acompanhados de policiais militares do Batalhão de Polícia Ambiental.  

As imagens são revoltadas e o relato do trabalhador é de cortar coração. Os agentes da Sema teriam arrebentado a corrente de proteção da porta do casebre humilde. No interior da residência, tudo foi revirado, jogado ao chão. Um monte de objetos de uso pessoal, como panelas, cama, mantimento e ferramentas de trabalho, nada permaneceu em seu devido lugar. As cenas são impressionantes.  

O pequeno agricultor retornou ao casebre humilde que mantém no sítio. Para sua surpresa e indignação, ele descobriu que os fiscais da Sema teriam levando uma moto bomba, que seria usada para fazer a irrigação de uma plantação de café. Levaram também uma motosserra, que era adaptada com furadeira.  

O sitiante afirmou ainda, de acordo com o vídeo, que bolas arame e um galão de veneno, que seria usado no controle de praga na pastagem, além de outros objetos de valor também teriam sido saqueados. “Não levaram as aboboras”, diz ele   O trabalhador que teve sua propriedade invadida, sem autorização judicial, exige a devolução de seus objetos. Ele sustenta que o prejuízo ultrapassa R$ 10 mil reais. “Quem levou minhas coisas precisa devolver”, afirmou.  

O governador Mauro Mendes (DEM) desconhece o fato. O chefe do Executivo não compactua com violência por parte de agentes do estado contra trabalhadores, sejam da cidade ou do campo. Esse caso merece uma investigação rigorosa e, em havendo culpados, a punição deve ser exemplar.  

O site encaminhou o vídeo-denuncia do trabalhador para a assessoria de comunicação da Sema e solicitou um posicionamento da pasta, que manifestou por meio de nota.  

Informa a nota da Sema:  

A denúncia foi recebida e será encaminhada ao Núcleo de Inteligência e Operações Conjuntas para investigação. A Sema não compactua com nenhum tipo de ilegalidade. É importante que o cidadão ao se deparar com crimes ou irregularidades ambientais denuncie na Ouvidoria Setorial pelo telefone 0800653838 ou pelo aplicativo MT Cidadão.

Assista o vídeo:

    

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